Antônio Nóbrega mandando um abraço…

01/12/2008

Para Os Romançais!


Trailler do Castelcon

16/11/2008

Um simples video sobre o evento Castelo das Peças, que reuniu dezenas de jogadores de ‘boardgames’ (jogos de mesa/tabuleiros) no Sesc Copacabana.


Drama de Angélica – música

15/11/2008

Composição: Alvarenga – M. G. Barreto

Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético

Poesia épica,
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica,
Com rima rápida

Amei Angélica,
Mulher anêmica
De cores pálidas
E gestos tímidos

Era maligna
E tinha ímpetos
De fazer cócegas
No meu esôfago

Em noite frígida,
Fomos ao Lírico
Ouvir o músico
Pianista célebre

Soprava o zéfiro,
Ventinho úmido
Então Angélica
Ficou asmática

Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico

Depois do inquérito,
Descobre o clínico
O mal atávico,
Mal sifilítico

Mandou-me o célere,
Comprar noz vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado

O farmacêutico,
Mocinho estúpido,
Errou na fórmula,
Fez despropósito

Não tendo escrúpulo,
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico

Corri mui lépido,
Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico
De força múltipla

O dia cálido
Deixou-me tépido
Achei Angélica
Já toda trêmula

A terapêutica
Dose alopática,
Lhe dei uma xícara
De ferro ágate

Tomou no fôlego,
Triste e bucólica,
Esta estrambólica
Droga fatídica

Caiu no esôfago
Deixou-a lívida,
Dando-lhe cólica
E morte trágica

O pai de Angélica
Chefe do tráfego,
Homem carnívoro,
Ficou perplexo

Por ser estrábico
Usava óculos:
Um vidro côncavo,
Outro convexo

Morreu Angélica
De um modo lúgubre
Moléstia crônica
Levou-a ao túmulo

Foi feita a autópsia
Todos os médicos
Foram unânimes
No diagnóstico

Fiz-lhe um sarcófago,
Assaz artístico
Todo de mármore,
Da cor do ébano

E sobre o túmulo
Uma estatística,
Coisa metódica
Como Os Lusíadas

E numa lápide,
Paralelepípedo,
Pus esse dístico
Terno e simbólico:

“Cá jaz Angélica,
moça hiperbólica
beleza helênica,
morreu de cólica!”


Lunário Perpétuo – letra da música

11/11/2008

Lunário Perpétuo
Composição: Antonio Nóbrega, Wilson Freire e Bráulio Tavares

Meu lunário tem antigas
Alquimias de almanaque.
Já enfrentou intempéries,
Roubos, incêndios e saques:
Dos homens, das traças, das garras das eras.
Carrega segredos, decifra quimeras,
Venceu todos os ataques

O meu lunário perpétuo
Sob o sol é luzidio.
Meu lunário foi forjado
Num fogo de desafio,
Que vibra, esquenta, atiça, aperreia,
Faísca, enlouquece, que pega na veia.
Pelos séculos a fio.

O meu lunário perpétuo
Guarda as vozes seculares
Do profeta de canudos
E do mártir dos palmares,
Sonhando com o reino do espírito santo
Na terra, no céu, em todo recanto.
Nos terreiros e altares.

O meu lunário perpétuo
É meu livro precioso,
Minha cartilha primeira,
Minha bíblia de trancoso.
João grilo, chico, malazartes, mateus,
Os órfãos da terra, os filhos de deus,
Heróis do maravilhoso.

Meu lunário é a memória
De um país que vai passando
Diante dos nosos olhos,
Rindo, mexendo, cantando.
Mestiço, latino, caboclo, nativo.
É velho, é criança, morreu e tá vivo…
Presente, mas até quando?

Meu lunário é conselheiro,
Meu folheto, é meu missal,
Atravessando os milênios,
Cada ponto cardeal.
De norte a sul, de pai para filho,
De lá para cá, meu livrinho andarilho,
Fabuloso romançal.


Apresentação

23/07/2008

“Conduzindo a minha voz
Nesta cadência pulsante,
Pra quem escuta meu canto,
Aqui, em casa ou distante,
Chamo pra me acompanhar
Os músicos, nesse instante”
Nóbrega e Freire

Respeitável Público, mui querido por todos nós, um bom dia e uma muito boa tarde. Somos os Romançais e aqui chegamos para cuidar de algo que todos possúimos de mais precioso: o alumbramento e a encantação. Nossa proposta é a mais humilde de todas, sem com isso subtrair-lhe qualquer soma em espécie (embora ela seja sempre muito bem vinda).

Nossa caravana aqui se aprochega para esticar-se em uma ou mais semanas de descanso e pequenas demonstrações lúdicas. Claro que, agradando, vamos ficando: não temos terras a chamarmos de nossas e por lar consideramos o vasto Mundo – herança cigana de um dos nossos que acabou por contaminar a todos.

Somos a favor do Lúdico, do Festivo e do Cultural. Em nossa companhia serão capazes de deleitarem-se com uma boa jogatina (não é verdade, seu padre?), lindos artesanatos e passarão momentos de incríveis enriquecenças culturais.

Seguimos o coração, sob os cantos bárdicos de Elomar, Nóbrega e tantos outros.

Jan, o Cigano