Aquele abraço, Os Romançais! \o/

15/12/2008

Anúncios

Poemote dOs Romançais!

11/12/2008

Brincantes virtuais
Artistas sem iguais
Somos Os Romançais

Presepeiros, fanfarrões
Gostamos dos trapalhões
Somos Os Romançais!


Antônio Nóbrega mandando um abraço…

01/12/2008

Para Os Romançais!


Festas de antigamente

13/11/2008

Cena restaurada de um mini documentário sobre uma festa chamada ‘Go East’, do início do século passado. Este filme foi encontrado no Arquivo Nacional e encontra-se em processo de recuperação. O áudio não é o original da festa, apenas uma incorporação do mesmo ao arquivo de vídeo com base em registros históricos.



Lunário Perpétuo – letra da música

11/11/2008

Lunário Perpétuo
Composição: Antonio Nóbrega, Wilson Freire e Bráulio Tavares

Meu lunário tem antigas
Alquimias de almanaque.
Já enfrentou intempéries,
Roubos, incêndios e saques:
Dos homens, das traças, das garras das eras.
Carrega segredos, decifra quimeras,
Venceu todos os ataques

O meu lunário perpétuo
Sob o sol é luzidio.
Meu lunário foi forjado
Num fogo de desafio,
Que vibra, esquenta, atiça, aperreia,
Faísca, enlouquece, que pega na veia.
Pelos séculos a fio.

O meu lunário perpétuo
Guarda as vozes seculares
Do profeta de canudos
E do mártir dos palmares,
Sonhando com o reino do espírito santo
Na terra, no céu, em todo recanto.
Nos terreiros e altares.

O meu lunário perpétuo
É meu livro precioso,
Minha cartilha primeira,
Minha bíblia de trancoso.
João grilo, chico, malazartes, mateus,
Os órfãos da terra, os filhos de deus,
Heróis do maravilhoso.

Meu lunário é a memória
De um país que vai passando
Diante dos nosos olhos,
Rindo, mexendo, cantando.
Mestiço, latino, caboclo, nativo.
É velho, é criança, morreu e tá vivo…
Presente, mas até quando?

Meu lunário é conselheiro,
Meu folheto, é meu missal,
Atravessando os milênios,
Cada ponto cardeal.
De norte a sul, de pai para filho,
De lá para cá, meu livrinho andarilho,
Fabuloso romançal.


Inspiração de nosso nome

07/11/2008

O TEXTO abaixo foi escrito pela sra. Maria Thereza Didier, em seu livro EMBLEMAS DA SAGRAÇÃO ARMORIAL – Ariano Suassuna e o Movimento Armorial 1970/1976, pela Editora Universitária UFPE. Ao término dessa leitura, minha mente fervilhava com idéias, muitas, onde podíamos criar jogos e elementos mais festivos perto de nossa Cultura do que simplesmente acompanhar tendências externas e trazê-las para cá sem qualquer tipo de filtro.

-x-

“Foi sob o nome de “Romançal”, que Suassuna encamparia uma outra experiência de orquestra com a concepção armorial de música. Parecia que a luta pela denominação de Armorial para a criação de uma outra orquestra enfim terminara. Recordando a tradição medieval ibérica, e tentando estabelecer novamente o elo entre o popular e o erudito, o escritor Ariano Suassuna explicava a escolha do nome Romançal: “romance ou romanço, era aquele amálgama de dialetos do latim “mal-falado” e popular que deu origem às línguas românicas ou neo-latinas, inclusive o português, o provençal, o espanhol e o galego”. “Na Idade Média – acrescentou – convive uma cultura erudita, com livros escritos em Latim, e, ao ladodela, a poesia popular cantada em romance, isto é, em provençal, em espanhol, no dialeto galaico – português etc. É o tempo das cantigas e canções-de-gesta, compostas e cantadas sobre Carlos Magno e os Doze Pares da França, a Demanda do Santo Graal, o Cid, sobre Reis mouros como Abenémar, e os Cavaleiros cristãos como Galaaz (…). Logo, por economia, esses poemas, ao mesmo tempo líricos e épicos, escritos em romance passam a ser chamados somente de romances, e o nome se estende a toda a literatura narrativa em prosa ou em verso; são os romances de cavalaria, escritos em prosa, e as gestas, dos trovadores e troveiros, escritos em verso”.

A Orquestra Romançal Brasileira, rastreando as origens do romanceiro popular nordestino, encontrava o romanceiro popular ibérico. Mais uma vez a música brasileira erudita, com base nas raízes populares nordestinas, era traçada como ponto de partida. A “Romançal” apoaiva-se na experiência do Quinteto Armorial e tinha à frente o pesquisador e músico Antônio José Madureira.

Cussy de Almeida criticou a formação pouco clássica da Orquestra Romançal; numa alusão discreta e irônica ao escritor Ariano Suassuna, o músico ressaltou: “muita gente importante, de QI bastante alto, também pensa assim, esquecendo que música não se aprende na prática e sim nas bancas escolares, e assim mesmo com muito talento, força de vontade e excelentes mestres.

Mas o caso não era de meros “caprichos” pessoais. Havia propostas divergentes, que não se coadunavam num mesmo espaço de criação, ainda que estivessem sob a estrutura de uma “orquestra”. Em 18 de dezembro de 1975, a orquestra Romançal fazia sua estréia no Teatro Santa Isabel, em Recife. Enfatizando os instrumentos populares, o repertório era formado de quatro composições de Antônio José Madureira e três músicas de compositores anônimos do século XVI, de origem ibérica. A preocupação do escritor Ariano Suassuna com as “raízes” da cultura brasileira o faria insistir: “resta indagar se, assim não estamos lembrando demais a raiz ibérica, e deixando de lado a negra e a indígena, tão importantes para a cultura brasileira. A meu ver, não. Primeiro, quem diz ibérico, diz também mouro e judaico, como também recorda imediatamente a profunda influencia da cultura norte-africana na Península Ibérica. Depois, se a orquestra se chama Romançal, chama-se também Brasileira – e aí estão incluídos necessariamente o elemento mouro-africano e o indígena. Recorde-se que na Península Ibérica, a língua dos Ciganos é o romani, e que foram os Ciganos – como tão bem Garcia Lorca soube entender – os principais responsáveis pelo trabalho de revitalização e recriação do Romanceiro espanhol medieval, dando-lhe, neste século, uma nova interpretação”.

Reafirmando que o romanceiro popular nordestino teria sua origem no romanceiro popular ibérico, Suassuna lançava com o nome de “Romançal” a representação, em sua opinião, legítima da música armorial. Segundo o escritor, a proposta da música armorial era uma recriação dos cantares, toques de viola e rabeca dos cantadores do Nordeste brasileiro. Verticalizando as divergências de representações do que seria a música armorial, Suassuna exaltou: “no Movimento Armorial, o tempo já vai depurando aos poucos seus resultados, separando o puro do impuro, o verdadeiro do falso e do falsificado. No campo musical, não creio fazer injustiça a ninguém ao dizer que Antônio José Madureira a Orquestra Romançal Brasileira representam a verdadeira Música Armorial – cortante, despojada, forte e reluzente como as pedras do Sertão”.

O embate entre as posições do músico Cussy de Almeida e as do escritor Ariano Suassuna pode ser indiciado a partir da oposição entre as tradições populares as prioridades técnicas. As tradições populares, para o escritor, são a fonte de resistência cultural e preservadora da identidade nacional. O “ser castanho” (característica imanente ao povo brasileiro, decorrente da fusão cultura/raça), idealizado por Ariano Suassuna, apesar de caracterizar-se pela reunião de contrários, tende muito mais a uma dimensão dionisíaca do que apolínea, provindo daí o seu pendor para as festas, sua efusão criativa. Ao revés, representando a frieza reflexiva e disciplinadora de povos apolíneos, a prioridade técnica, para o escritor, é relacionada à dimensão de aspectos modernos e estrangeiros. Desse modo, as tradições populares expressam a espontaneidade do ser brasileiro, sendo, portanto, representantes autênticas da cultura brasileira, fazendo emergir o substrato do cadinho revelador da cultura nacional.”

-x-

Padre Atanavídeo, o Sincero.


Apresentação

23/07/2008

“Conduzindo a minha voz
Nesta cadência pulsante,
Pra quem escuta meu canto,
Aqui, em casa ou distante,
Chamo pra me acompanhar
Os músicos, nesse instante”
Nóbrega e Freire

Respeitável Público, mui querido por todos nós, um bom dia e uma muito boa tarde. Somos os Romançais e aqui chegamos para cuidar de algo que todos possúimos de mais precioso: o alumbramento e a encantação. Nossa proposta é a mais humilde de todas, sem com isso subtrair-lhe qualquer soma em espécie (embora ela seja sempre muito bem vinda).

Nossa caravana aqui se aprochega para esticar-se em uma ou mais semanas de descanso e pequenas demonstrações lúdicas. Claro que, agradando, vamos ficando: não temos terras a chamarmos de nossas e por lar consideramos o vasto Mundo – herança cigana de um dos nossos que acabou por contaminar a todos.

Somos a favor do Lúdico, do Festivo e do Cultural. Em nossa companhia serão capazes de deleitarem-se com uma boa jogatina (não é verdade, seu padre?), lindos artesanatos e passarão momentos de incríveis enriquecenças culturais.

Seguimos o coração, sob os cantos bárdicos de Elomar, Nóbrega e tantos outros.

Jan, o Cigano